1 Imoto retocando fotos / 2 Logotipo Foto Ásia / 3 Certidão de Registro emitido pelo Consulado do Japão do pai de Shiyodi / 4 Shiyodi Imoto e Dona Aurora no dia do casamento
Shiyodi Imoto Nasceu aos 17 de fevereiro de 1.942, na cidade de Garça, SP, onde seu pai, Unosuke Imoto, mantinha um estúdio de fotografia, ofício que ele exercera também no Japão, antes de imigrar para o Brasil. Shiyodi lembra-se muito bem de, quando era menino, ter brincado com uma câmara caixão, tirando fotos de batalhas encenadas contra samurais, imagens estas que eram reveladas e ampliadas pela mãe, que também auxiliava nos trabalhos do estúdio. Lembra-se ainda de ter ajudado o pai a carregar e montar o equipamento fotográfico em trabalhos externos, com seus bolsos cheios de lâmpadas para flash.No entanto, é incapaz de dizer quando foi que nasceu seu interesse pela fotografia, pois esta desde sempre fez parte de sua vida - de certa forma, ele já nasceu dentro da fotografia.
Shiyodi nunca fez planos para o futuro nem programou nada em sua vida, as coisas simplesmente foram acontecendo e ele dizendo sim ou não a elas, conforme a conveniência. Assim, quando a família mudou-se para São José dos Campos, em 1.957, e o pai comprou o Foto Ásia das mãos do conterrâneo Kajita, o adolescente achou mais do que natural ajudar o pai a pagar o investimento maior que o orçamento familiar e passou a trabalhar período integral no negócio, localizado na esquina da Rua 7 de Setembro com a Sebastião Hummel.
O trabalho no Foto Ásia era muito, mas Shiyodi ainda conseguia arrumar tempo para tocar saxofone nos dois clubes da colônia japonesa em São José dos Campos. Também participava de um conjunto musical que acompanhava cantores fazendo shows pelo Vale do Paraíba, e foi numa dessas apresentações em taubaté, que conheceu dona Aurora, com quem veio a casar-se e que lhe deu três filhos.
Imoto fazendo retoques em fotografias
Toque de modernidadePor meio de revistas especializadas e catálogos que lhes traziam os caixeiros viajantes, Shiyodi e o pai ficavam sempre informados das últimas novidades do mercado e não hesitavam em adquirir o que houvesse de mais moderno. Assim, o Foto Ásia foi o primeiro a lançar o serviço de fotografia colorida 3x4 no Vale do Paraíba, sempre com o intuito de diferenciar-se da concorrência e ampliar a clientela.
Outro diferencial do Foto Ásia era o fato de que todas as fotos feitas por eles passavam pelo olho clínico de Shiyodi, que, antes de ampliar as imagens e entregar para o cliente, retocava cuidadosamente cada negativo com lápis de pontas muito finas. Esta prática é mantida por ele até hoje, com a diferença de que os retoques são feitos agora no Photoshop.
Segundo seu Imoto, não custa nada tirar uma pinta ou uma ruga, e o freguês sai da loja muito mais satisfeito!
Homenagem pela criação do Núcleo de Estudos de Linguagem Fotográfica
Além da ativa participação na Associação dos Fotógrafos Profissional de São José dos Campos, da qual foi presidente, Shiyodi Imoto teve presença marcante na vida social e cultural da cidade. Não bastasse ser o fotógrafo de inúmeros casamentos, batizados, formaturas e eventos desportivos e atuar como músico, trabalhou também como repórter fotográfico e teve programas nas rádios Clube e Piratininga. E certamente foi esta projeção que fez com que ele fosse convidado, no ano de 1.985, a participar das reuniões que deram origem à criação, no ano seguinte, da Fundação Cultural Cassiano Ricardo.Até 1998, a Fundação Cultural atuou por meio de nove comissões municipais, entre elas, a de fotografia.
Pioneiro e atuante nesta comissão, Shiyodi Imoto teve papel fundamental ao criar um curso de fotografia pelo qual passaram centenas de pessoas, algumas das quais vieram a se tornar fotógrafos de projeção.
As apostilas do curso oferecido pela comissão de fotografia foram elaboradas por Shiyodi Imoto e ensinavam desde os princípios básicos e a história da fotografia, passando por noções de composição da imagem, até a revelação e a ampliação, num tempo em ainda nem sonhava com a fotografia digital.
Por solicitação da família, Shiyodi teve que se afastar de seu trabalho junto à FCCR e do Foto Ásia, passando a dedicar-se ao comércio de flores com a esposa e de pastéis com a filha. Mesmo assim não abandonou a fotografia, pois tornou-se vendedor de material fotografico no Vale do Paraíba, Litoral Norte e Sul de Minas Gerais. Comerciante nato, ele lotava seu carro com filmes, papéis e câmeras, partia para Minas Gerais e de lá retornava com uma garga de doces e queijos, os quais revendia em São José dos Campos.
Irrequieto e buscador, depois de ter encaminhado os filhos, ficou livre para retornar ao que mais gosta, a fotografia. Assim, há cinco anos, pediu à filha um pedaço do recinto da pastelaria no Mercado Municipal e abril um negócio de fotos para documentos e fotocópias que aos poucos foi se tornando, também, uma loja de miudezas e serviços. Colecionador desde sempre, Shiyodi Imoto não recusa nada do que lhe oferecem, principalmente se for material relacionado ao audiovisual.
De fato, muitos fregueses apareciam com câmeras defeituosas na expectativa de que seu Imoto as consertasse. Mas, devido à rápida obsolescência do equipamento fotográfico, se viam desenganadas em suas esperanças e acabavam deixando os aparelhos ali mesmo. Desta maneira, as máquinas foram se acumulando e hoje o local mais parece um museu de equipamentos fotográficos. Vários pequenos cartazes avisam: CÂMERAS FOTOGRÁFICAS:
NÃO COMPRO E NÃO VENDO
SÃO TODOS DOAÇÕES.
Sociável e bom de papo, seu Imoto afirma que, já tendo feito de quase tudo um pouco na vida, hoje sua função é servir.
Fonte: FCCR São José dos Campos-SP
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